quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Sorria

Sorria, você não tem motivos para falar mal da vida.

Você não sofreu mais que os outros.

Você não é especial, ninguém é.

Você diz não estar vivo. 

Você ainda esta vivo.

Não reclame na minha frente.

Talvez um dia eu responda.

Não gosto de sua negatividade.

Ela me deprime.

Talvez seu reflexo responda.

Talvez eu responda com seu sorriso.

Talvez eu responda com sua vida.



terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Boneca

Wikimedia Commons
          Quando eu era pequena amava brincar com as minhas bonecas. Como eu era de uma família rica, eu tinha uma coleção enorme. Não sei ao certo como isso mudou, apenas me lembro que foi assustador. Era uma noite calma, a lua brilhava no céu, e meus pais me colocaram na cama as 9 horas da noite. Naquele dia eu havia encontrado uma boneca no Playground do meu prédio  ela estava em péssimo estado, mas ela havia me deixado fascinada. Seu rosto de porcelana já estava velho cheio de marcas e pelotinhas. Naquela noite pude ver aquela boneca se mover em minha direção, gritei assustada. Meu pai entrou correndo no meu quarto, ele me perguntou o que houve, e eu respondi dizendo que vi aquele ser se movimentar. Mas ela estava exatamente onde a deixei antes de vir para cama.
          No outro dia duas bonecas que estavam do lado dela apresentaram as mesmas pelotinhas e marcas, eu me assustei, afinal o que poderia ser aquilo. Varias noites se passaram e aquela boneca continuava a me atormentar. E a cada dia que se passava mais bonecas minhas apareciam com aquelas marcas. Quando chegou meu aniversário de 14 anos resolvi por um basta naquele mistério. Fui a biblioteca de meu pai, e peguei sua empoeirada coleção de enciclopédias  procurei primeiro por bonecas, e lá estava, que até pouco tempo era comum o uso de cabelo humano em bonecas. Geralmente usavam mechas da dona da boneca em sua confecção. Continuei procurando coisas nas enciclopédias  foi quando vi uma imagem de uma criança com pelotas e marcas semelhantes há daquela boneca, eram sintomas de uma doença, a varíola. Ela é muito comum aqui, meu pai trata varia crianças com ela. Será que aquela boneca pertenceu a uma menina que morreu com a doença.
        Quando se passou um ano do encontro da boneca, eu já havia perdido varias bonecas, mas, eu não podia me desfazer daquela boneca velha e mal trapita. Certa noite, em vez de apenas andar em minha direção, aquele ser falou comigo, disse que em breve me juntaria a ela, me assustei, e nesse dia resolvi me livrar daquela boneca, a enterrei nos fundos da minha casa, no cemitério da família. Passaram se alguns anos e mamãe gravida, contraiu varíola, no parto ela morreu, e pouco tempo depois meu irmãozinho também, por que a varíola havia feito ele nascer com deformidades que o velaram a morte. Papai enlouqueceu depois da morte da minha mãe, e passou a viver em um sanatório  Eu tenho dezoito anos agora e estou doente, meu pai felizmente superou a morte de mamãe e do meu irmão, e voltou para casa, ele esta cuidando de mim, eu estou fraca.
          - Minha filha não resistiu, e infelizmente tive que enterrar mais um grande amor...
          Hoje é dia do meu enterro, já estão colocando meu corpo no tumulo, todos a minha volta estão chorando, meu pai, meu marido, minha filhinha... Todos já haviam ido quando ouvi uma foz familiar:
         - Se lembra de mim, eu disse que logo você estaria comigo, juntas por toda a eternidade. Já não estou mais só, tenho alguém para brincar comigo.